CasasOlhares e Detalhes

APARTAMENTO INDUSTRIAL COM TUDO APARENTE

Por maio 1, 2019 Sem Comentários

Esse é o 1º episódio da série Olhares e Detalhes, uma nova série no meu canal do Youtube que estou fazendo em pareceria com a Suvinil e que tenho o prazer de apresentá-la para você.

Nessa série vamos conhecer os olhares de arquitetos e designers de interiores e todos os detalhes de algum de seus projetos.

Neste episódio de Olhares e Detalhes, a Helena Camargo, da H2C Arquitetura, vai explicar tintim por tintim os detalhes de como realmente é feita uma obra de arquitetura.

A Helena começa nos contando que a filosofia de seu escritório é não desperdiçar material. Assim, neste apartamento industrial, as estruturas aparentes, que a Helena descreve lindamente como “a memória da concepção de arquitetura”, são acompanhadas por tacos de madeira reaproveitados.

“A madeira é um material nobre, cada vez mais escasso”, conta a Helena. “Quando você quer manter o piso, você pode alterar a tonalidade e criar uma sensação mais homogênea. A gente tonalizou esta madeira e conseguiu um tom mais sóbrio e elegante, que era o que a gente queria”. As paredes foram pintadas na cor Papel-jornal E208, da Suvinil.

Outra ideia que o projeto contemplava era aumentar a sala. Para isso, foi necessário certificar se a estrutura permitia derrubar paredes. “A gente investigou se havia uma viga, essa peça de concreto na horizontal que suporta o peso da laje de cima”, explica a Helena.

Com o forro removido do teto, a opção foi deixar a instalação elétrica exposta, em estilo industrial. A laje aparente revela a “verdade estrutural” do espaço. O nome desse conceito, que eu adoro, é brutalista. Uma opção elegante – e até econômica.

Se você optar por essa solução, uma ideia bem bacana é fazer desenhos simples com as linhas dos eletrodutos e conduletes. Veja como eles ficaram incríveis no teto deste projeto! O que era para ser uma instalação elétrica virou uma verdadeira escultura.

Dica fundamental: prédios mais antigos, como neste projeto, têm lajes bem espessas, entre 30 cm e 40 cm, o que garante um bom isolamento acústico, mesmo sem o forro. Já num edifício mais novo, as lajes costumam ter espessuras bem menores, entre 16 cm e 18 cm. Nesse caso, não é aconselhável remover o forro, porque ele garante mais proteção contra ruídos entre os apartamentos. Mesmo neste apartamento industrial, o forro do quarto foi mantido para garantir melhor desempenho acústico.

Ainda na sala, a Helena nos conta sobre a opção por um móvel “técnico” para abrigar o home theater. A peça foi desenhada para acomodar equipamentos em nichos eficientes que comportem a passagem de tomada e escondam a fiação. “O móvel do home theater muitas vezes é o protagonista da sala. Neste caso, a gente pensou numa marcenaria bem linear, na horizontal, numa composição de tonalidade em harmonia com a parede, com a intenção de que o móvel praticamente sumisse. É uma peça muito mais funcional do que um móvel que chame atenção”, destaca a Helena.

Uma das coisas que reparei logo que entrei neste apartamento industrial foi a mesa da sala. Os pés das cadeiras e da mesa têm a mesma tonalidade do piso, dando a sensação de que essas peças estão flutuando no ambiente. “Fico feliz, porque a intenção foi essa”, comemora a Helena.

A sala é integrada com a cozinha, mas com opção de separação. Isso é possível com uma solução lindíssima: uma grande porta de correr de vidro com caixilho de metal feito em serralheria. Com ela, você consegue isolar o ambiente onde se cozinha sem perder a integração com outros espaços. É uma peça grande, com toque industrial, mas leve, graças à escolha de caixilho num tom de preto que, além de ser funcional, também confere uma boa estética.

A porta é complementada por um duto de ar-condicionado aparente. “Na medida em que deixamos toda a estrutura aparente, resolvemos a questão do ar-condicionado criando um duto em chapa galvanizada, que fez o desenho junto com a porta. Tudo foi desenhado para uma linguagem conversar com a outra”, explica a Helena.

Sempre vale lembrar: a cor e o material das peças estruturais, como portas ou até mesmo um duto de ar, também devem dialogar com a proposta arquitetônica do projeto como um todo, com o mesmo cuidado que se dá à escolha dos móveis.

Se o seu apartamento tem janelas em faces opostas, outro benefício de derrubar paredes é que você pode aproveitar a ventilação e a iluminação cruzadas. A Helena esclarece que isso acontece quando duas faces opostas do prédio ventilam e iluminam conjuntamente. Com isso, seu apartamento vai ter luz o dia inteiro e ventilação circulando por todo ambiente. Uma ideia para anotar e fazer em casa!

Por falar em iluminação, a Helena optou por não colocar armário sobre a pia da cozinha. “Para quem gosta de cozinhar, é uma vantagem. Porque armário sobre a pia bloqueia a luz na sua bancada, que é um espaço de trabalho.”

Ainda na cozinha, o piso de cimento queimado segue como revestimento, sem emenda, por toda a bancada da pia e do fogão, criando uma sensação de continuidade. As tomadas na bancada de cimento ficam guardadas em uma pequena caixa em aço inox, que pode ser comprada pronta. A Helena descreve essa solução para as tomadas como o “trunfo do sucesso da bancada”.

Se você optar por uma bancada assim, é superimportante atentar para o modo como ela é feita. A Helena detalha para a gente: “Para que dê certo, primeiro você precisa de um pedreiro muito caprichoso e que goste de fazer forma em madeira. Nosso pedreiro produziu a forma em madeira com base nas dimensões determinadas, já com os desenhos para aberturas como pia e fogão, trouxe a forma para cá e despejou o concreto dentro dela, reforçando toda a estrutura com ferros, como se fosse uma laje. Depois que o concreto ficou firme – e isso demora uma semana, pelo menos –, o pedreiro removeu a forma e, a partir daí, fez as aberturas menores. Refizemos toda a hidráulica da pia e colocamos os pontos nos eixos exatos onde o pedreiro iria concretar”.

Não é uma dica importante? Ou seja, um projeto, quando pensado com bastante antecedência, economiza tempo e dinheiro, além de ficar bem feito.

Seguimos com nossos olhares para a área de serviço. Vocês já viram uma área de serviço fofa? Pois essa é!

Ela mantém a mesma marcenaria da cozinha, mas a bancada é de granizo, em vez de cimento. A Helena explica que essa solução mancha menos e é mais resistente a altas temperaturas – ideal para passar roupa, por exemplo. E repare nos detalhes fofos: uma abertura para o cachorro da casa, com acesso para o quarto e opção de abrir e fechar por dentro, e um apoio para os potes de comida e de água do mascote. Tudo na mesma marcenaria e na mesma paleta de cores dos outros ambientes. A Helena é uma arquiteta que pensa até no cachorrinho!

Da área de serviço, fomos para o lavabo. E cadê a maçaneta da porta? “É um lavabo oculto, com essa brincadeira de a pessoa descobrir o ambiente quando fosse usá-lo”, conta a Helena. A porta ficou parecendo uma parede!

E quando você entrar no lavabo, vai se deparar com o mesmo revestimento em azulejo empregado na cozinha, mas aplicado com uma paginação diferente – alguns azulejos na horizontal, outros, na vertical. Uma ótima ideia para conferir personalidade ao seu ambiente. A pia desse lavabo é de ardósia. “Foi muito usada nos anos 1980”, enfatiza a Helena. “É um material que tem custo bom e acabamento bonito. É uma peça que risca um pouco, mas nossa intenção era manter seu aspecto bruto e rústico.”

Bem, e a grande surpresa foi quando entrei no quarto. Jamais imaginaria que iria me deparar com uma… banheira! “É um quarto de vestir, e agora também é um quarto de banho”, brinca a Helena.

Fiquei realmente impactado com a ideia. Imagina que delícia poder curtir o quarto e a banheira integrados! Dois banheiros, antes separados, foram anexados a este grande ambiente e agora comportam até uma sauna.

O revestimento do banheiro é parcialmente em pedra vulcânica sem rejunte, complementado com paredes num tom de cinza Asteroide V027, da Suvinil, o mesmo tom de cinza das demais paredes do quarto. A bancada da pia segue a linguagem das outras bancadas com pia da casa. A diferença é que esta tem uma peça central removível para garantir acesso à válvula em caso de entupimento. As torneiras da pia, em aço, assim como o vaso sanitário, foram pintadas em preto para garantir a sobriedade que se buscava.

“Este projeto segue muito o perfil do cliente, que prefere uma linguagem mais neutra e sóbria. Cada projeto nosso tem uma identidade própria. A gente desenha para a pessoa que vai morar nele, com cores e tons com os quais o morador conviva bem”, completa a Helena.

A série olhares e detalhes é apresentada pela Suvinil, que é minha grande parceira. Mais do que patrocinar esse projeto, ela me possibilita compartilhar esse conteúdo com vocês.

Gostou deste projeto da Helena Camargo? Aproveite e clique aqui para conhecer mais casas e projetos da série olhares e detalhes com outras ideias e soluções para o seu espaço.

Para conhecer mais sobre o trabalho da Helena acesse:
https://www.h2carquitetura.com.br/


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