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Casa brasileira – Morar e trabalhar no mesmo lugar – Estúdio fotográfico inusitado

Esta casa antiga de Belém do Pará é literalmente uma casa cenário. A fotógrafa Walda Marques me recebeu com sua alegria contagiante para me mostrar os detalhes deste espaço que mistura de forma harmoniosa, sua morada e seu estúdio fotográfico. Morar e trabalhar no mesmo lugar pode ser divertido.

Todos os cantinhos são usados como composições em suas criações, desde esta linda cortina vermelha até as paredes pintadas e que nos levam a um universo lúdico e fantasioso. As vantagens de se trabalhar em casa. “Aqui agora é casa de vó, tem comidinha no fogão, tem clima de família e tem sempre amigos entrando e saindo”. Foi assim que Walda me definiu seu estilo de morar com sua mãe e seu filho, enquanto tomávamos o mais puro açaí de Pará, ressaltando ainda mais as maravilhas coloridas do norte do nosso Brasil.

Walda Marques é uma pessoa de destaque na cena fotográfica de Belém do Pará. Dentre tantas obras, ela produz uma série de fotonovelas com uma boa dose de humor e poesia. Se sua casa é um cenário, nada melhor do que estas cortinas vermelhas para nos receber e abrir o espetáculo que me aguardava nos detalhes. No corredor de entrada as paredes receberam rosas pintadas à mão, assim como o hall pintado como uma floresta, ressaltando o verde e as árvores. Cada cantinho ali pode ser usado para fotografar seus clientes ou servir de fundo para suas produções fotográficas.
 

Lá em Belém há uma devoção à Nossa Senhora, e acontece o Círio de Nazaré, um dos maiores eventos de fé do Brasil. Walda, com sua criatividade, transformou até o seu oratório em algo cenográfico. A roda gigante, feita de miriti por artesãos paraenses, para mim tem um significado especial: assim como na roda da vida, às vezes estamos em cima, às vezes em baixo, mas a beleza maior está quando a colocamos em movimento. Seguir a vida leve, com flores e cores por todos os lados. Esta é a Walda. A cadeira de barbeiro, suas fotos na parede e os móveis antigos completam o clima da casa com pé direito alto e uma infinidade de boas histórias para contar.

Sempre existiram. Pessoas, lugares, encontros. Sempre existiram. Tangíveis, palpáveis, inimagináveis. Sempre existiram. Criações, intenções, ilusões. Sempre existiram. Existem, sempre existirão. Cenas que não são vistas somente com os olhos.

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